120 ANOS

“ARTIGO 1o.: É DECLARADA EXTINTA DESDE A DATA DESTA LEI A ESCRAVIDÃO NO BRASIL.

ARTIGO 2o.: REVOGAM-SE AS DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO.

Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1888, 67o. da Independência e do Império.”

Agora, ultrapassados 120 anos, só falta dar cumprimento e abolir realmente a escravidão no Brasil, não só aquela que vitimou aos afro-descendentes, mas a que acorrenta a cada um de nós aos grilhões daqueles tantos que, de uma ou outra forma, até hoje nos tiranizam.

QUIROMANCIA

Os olhos azuis

Leram minha mão,

Boca carmim

Queria saber quem sou,

Respondi com silêncio.

Ciganas mãos

Tocaram a minha,

Perscrutavam

Quem eu era.

Voz doce

O futuro relevou:

Mas errou!

Não conseguiu

Prever

Que no plácido

Daquele olhar,

Tudo o que

Minha mão queria

Era volúpia:

Vontade insubmissa

De à jovem cigana

Acariciar.

BALADA

Na balada me vi

Cercado de gente bonita

Que sonha a louca vida,

Que meu Cazuza cantava.

E como a amava…

A ponto de despedaçá-la,

Pouco a pouco,

Como o fio da gente

Que tece a morte,

Grita a loucura,

Desenrola a lã,

Tece o futuro,

Espera o amanhã,

Descortina o passado

No seu louco afã

De menino crescido.

Na balada vi quem sou

E nunca fui…

E tanto queria ter sido.

MEU POEMA

Meu poema sem métrica,

Vez por outra rima.

Nem é bem poema,

Nem sou eu poeta,

Sou antes o pateta

Que gosta de combinar

Fonemas

Apenas

Por diversão,

Amor,

Arte

Ou Prazer.

Típico do poeta

Que não sonhei ser.

LADEIRA

“Falem de mim, falem sim,

Digam o que quiserem.”

Assim eu vi publicado

Naquelas letras garrafais.

Nem perdi meu tempo.

Não pensaria muito sobre,

Sarcófagos abertos fedem

No putrefato ar.

Limito-me a imaginar o povo,

De espada na mão e arma em punho,

Empurrando pela ladeira

Os donos do poder enaltecido,

Aqueles sanguessugas de ouro

Que fingem não querer algum olvido.

DENÚNCIA DO MP - ISABELLA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DE SÃO PAULO disponibilizou a íntegra da Denúncia e Representação pela prisão cautelar, no seguinte endereço:DENÚNCIA MPSP

Nota: É preciso ter o Acrobat Reader instalado para ler o texto.

AMOR

Do amor pouco sei.

Veio de sem querer,

Foi acontecendo,

Envolvendo,

Marcando,

Aproximando,

Fixando

Assim por dentro.

Do amor o pouco que sei

É que foi ficando

E a ele me habituei.

Do amor só sei

Que já amei.

LOUCURA SEM NOME

Você, menina linda,

Invadiu meu coração

Fez eu crer mais ainda

Que chegou ao fim a solidão.

Toquei, por acidente,

Na tua mão,

Assim displicente

Eu tive a tua visão.

Corri os olhos pelo teu corpo

Insinuante no vestido sensual,

Vi o sorriso do teu rosto,

Nos teus olhos o brilho fatal.

E agora só sei pensar

Em como te ganhar,

Louco de tanto querer

Te amar até o amanhecer.

Imagino nossos corpos juntos

E os deliciosos afagos,

Massageando as tuas pernas,

Mordiscando os teus lábios.

Não sei como te encontrar,

Preciso urgente lhe falar

Deste amor que me consome,

Desta loucura sem nome.

Vivemos em distantes mundos

Separados por grandes lagos:

Eu louco para te beijar

E você só sabe me ignorar.

Não sei como te encontrar,

Preciso urgente lhe falar

Desta paixão que me condena

A achar que você vale a pena.

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Editado por Mário Leal.

Foto cabeçalho por Volnei Almeida.

PREMISSAS

"Somos hoje essa estranha junção do homem de ontem com o ser de luz que brilhará amanhã." (Mário Leal)

"Viver é acreditar no amanhã melhor, seja como for, apesar de tudo, crendo na força do universo velando por nós." (Constantino)

 

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