SENHORES DO MUNDO
Novembro 23, 2007 de Mário Leal
Acende-se o dia sem a necessidade de tocarmos no interruptor.
Renova-se o ar dispensando o concurso de ventiladores e filtros.
Nascem as plantas independentes da nossa ação voluntária em benefício delas.
O mar rega a areia todos os dias.
A areia acumulou-se na praia sem o uso da escavadeira.
Há no subsolo água que não foi ali depositada por mãos humanas.
O planeta permanece no eixo mesmo sem existirem cabos de aço que o sustentem no espaço.
O universo não foi criado pelo homem.
O homem não sabe como recriar a sua própria espécie.
Teme a morte por desconhecer o que virá depois.
Pretende senhorear-se da vida, arrogando-se títulos e posses transitórias sem saber o que fazer com tudo isso após o seu sepultamento. Como levar títulos, posses e glórias além-túmulo?
Neste instante a mente humana se cala. A morte é o desconhecido, a última fronteira a ser vencida e a viagem da qual ninguém ainda retornou em corpo de carne.
Somos essa máquina humanóide que aprendeu a pôr-se de pé, desenvolveu a inteligência, descobriu o funcionamento da vida, planou nos ares, invadiu os oceanos, mapeou o globo terrestre e, embora acumule todo esse mérito digno de nota, ainda permanece sem desvendar completamente a si própria.
Relutamos em perdoar, nos envergonhamos de amar, temos medo de sermos solidários ou caridosos porque receamos a futura ingratidão ou a alheia trapaça. Sorrimos pouco para não acharem que somos bobos. Reclamamos bastante porque todo mundo reclama e necessitamos da aceitação social, afinal ser otimista saiu de moda e virou material de livro de auto-ajuda.
Pregamos a liberdade e nos prendemos aos grilhões dos compromissos, dinheiro, títulos, propriedades e tudo o mais que, pouco a pouco, justifica a falta de ânimo para sorrir ou de tempo para dormir.
Em que pese isso, acende-se o dia sem a necessidade de tocarmos no interruptor, renova-se o ar dispensando-se o concurso de ventiladores e filtros, nascem as plantas independentes da nossa ação voluntária em benefício delas e o mar rega a areia todos os dias.



A vida segue no “automático”…. nós é que criamos os interruptores. E quanto mais complexos nos tornamos, de mais interruptores precisamos…
É Mário, será que essa “máquina humana” realmente já estava completamente testada e pronta para funcionar ?
Um abração e bom final de semana.
Brilhante,MARIO. Adorei!!
Alias,sou daqueles que ta ficando cansado de tudo estar no automatico,heheeh
Acho que vou começar a pilotar meio amalucadamente,heheheh
Abração!
Por favor!
A FILHA DO JUIZ
Punhos de oiro nas mangas da blusa da filha do Juiz,
Punhos estáticos na cama de Flavia,
Terá sido esta a justiça que o povo quis?
Haver mulher com filha cheia de tudo sem nunca andar grávida?
David Santos
..Sinais da tal modernidade!!
Muitas vezes me pergunto onde vamos parar com ela.. ou seria, onde ela vai nos parar…
Gostei do texto, parabéns
bjs e bom final de semana
Cláudia
Gostei dos contrapontos no seu texto, a vida no automático, os interruptores que a mente cria e a desconexão que a gente mesmo inventa para se salvar.
Abraços
Mario, você tem razão.
para viver, o homem está se desumanizando, tornando-se máquina e esquecendo ou fechando os olhos para as lições da própria natureza que o sustenta.
Infelizmente, estamos deixando morrer a criança que existe dentro de cada um.
beijos, bom final de semana para você.
Nossa adorei teu texto de hoje…faz pensar sabe!
Vivemos muitas vezes no automático…verdade!
beijos bom final de semana
É isso aí! Vamos ser positivos e fazer acontecer. Suas palavras são para servirem de reflexão e de audacidade para nós seres inferiores que lamentamos a vida, quando nem ao menos fazemos algo para melhorá-la.
Beijos enigmáticos.
A gente nem se dá conta a não ser quando se depara com um texto como o teu, Mário, é tudo automático.
Bom fim de semana!
Um abraço.
Mário, sempre que posso contemplo a natureza. É quando me dou conta da minha pequenez. Bom fim de semana! Beijus
Creio em Deus ao ver a natureza. O homem não pode recria-la, mas sabe destruí-la. Belíssimo texto.
abraço, garoto
Oi Mario!
Faço minhas as palavras do CeJunior: literalmente.
E lhe parabenizo pelo texto mais uma vez. Obrigada.
beijos e obrigada pelo carinho constante.
Mário, aqui em casa costumo dizer que a praia e o mar são a minha catedral. É lá que faço minhas orações. Lugar melhor não há para ficar muito próximo do Criador.
Amigão, só hoje pude arrumar o link do Apoio Fraterno lá no perplexo. Mas tá arrumadinho agora, viu?
Bom final de semana,
Forte abraço
“Pregamos a liberdade e nos prendemos aos grilhões dos compromissos, dinheiro, títulos, propriedades e tudo o mais que, pouco a pouco, justifica a falta de ânimo para sorrir ou de tempo para dormir.”
Pobre homem que acha que é livre. Está preso em sua própria teia de destruição.
beijos
Mário. Você toca num ponto importantíssimo da condição humana: a de se condicionar ‘contra a felicidade’. Damos valor ao que está fora. Fora de nosso alcance, fora de nosso entendimento, fora de nossas posses. O ser humano é essa figura contraditória que prefere ganhar o poder e perder a liberdade. Estar a procura daquilo que não precisa. Se todos nós penssássemos com o seu ponto de vista mudaríamos o nome deste planeta de Terra para Vida!
Abraços!!!!!
O homem não criou o mundo, mas fou-lhe facultado o poder de destruí-lo.
Depois de uma semana estou de volta e vim logo aqui te ler.
Beijo
É, amigão. É como diz aquela minha tia que homenageei no blig: coisa boa acordar e ver que tem mais um dia pela frente. A gente esquece esta bênção que não tem interruptor que acione.
bj
Nossaaaa!!! lindo, lindo…sabemos disso, mas, lembrar tão poeticamente como você fez, deu efeito.
É verdade. Somos o que as outras pessoas ou “a moda” do momento pede, mas esquecemos de ser o que realmente somos: seres humanos dotados de vícios e virtudes como qualquer outro.
Viramos humanóides???
sério!
Uma vez, eu vi um texto entitulado que dizia que a gente se acostumava com tudo, e acabávamos virando verdadeiros autômatos. Não me lembro bem de algum trecho dele, mas ele toca justo nisso aí.
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!
Pois é, Mário
No momento em que o homem realmente entender a sua potencialidade espiritual mudará, pôr certo, hábitos e circunstâncias que o coloca em situação diminuta, diante da grandiosidade da vida.
Abs
Mário, o homem tenta sufocar a natureza que existe dentro dele e com isto destrói aquela que esta em torno dele também. Agindo assim, ele não entende que está sufocando a própria felicidade. Um abraço.