SÍNDROME DA IGNORÂNCIA ALHEIA
Dezembro 1, 2007 de Mário Leal
Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS e o blogue Amigos da Blogosfera orgarnizou a presente blogagem coletiva, da qual a Luma também participa. Em princípio eu não iria participar porque só disponho de computador no escritório e nos finais de semana dificilmente trabalho; no entanto, caí de pára-quedas aqui e então aproveito o ensejo para contribuir com esta causa solidária e de utilidade pública.
A AIDS - ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) - é velha conhecida enfermidade com efeitos colaterais - sociais - sempre novos.
Considero o maior deles o preconceito que afeta os portadores do vírus. Não faz muito tempo publiquei um conto que aborda exatamente o preconceito que sofrem os soropositivos. Caso tenha interesse, pode ler ou reler o conto: aqui.
O pior efeito da AIDS, muito mais deletério do que o óbito que a doença pode ocasionar, é o descaso da sociedade para com tema de tanta importância e a estreita visão dos não portadores do HIV em relação aos que portam o vírus, visão esta normalmente preconceituosa.
Qualquer um de nós, independente de opções e preferências sexuais, pode contrair a AIDS. Esta é a verdade. Quem está isento de receber sangue contaminado durante uma emergência médica? Tratarmos um outro ser humano com menor respeito em função de ter contraído uma doença fatal é o cúmulo da falta de sensibilidade.
É contra isso que devemos lutar todos os dias: a Síndrome da Ignorância Alheia. Este conjunto de sintomas que caracterizam os doentes da alma, os corações embrutecidos que se incapacitaram de nutrir sentimentos de solidariedade e respeito pelo próximo.
Este combate começa nos nossos lares e com nossos filhos e familiares. Precisamos extirpar a visão egoísta que muitos possuem em relação aos doentes de AIDS. É preciso empunhar a bandeira da solidariedade humana até que percebamos que todos nós - quer sejamos homens, mulheres, gays ou lésbicas - somos seres humanos carecedores e devedores de respeito uns em relação aos outros. Cada um cultive a opção sexual que melhor lhe satisfaça. Jamais, porém, deixe de cultivar o sentimento de humanidade que nos une uns aos outros e faz com que sejamos seres diferentes das feras que alimentam-se dos mais frágeis para sobreviverem a cada novo dia.
No ocidente do século XXI não cabe mais manter atitudes egoístas, irracionais e vertentes preconceituosas. Um ser humano é um ser humano e deve ser respeitado justamente por se tratar de um nosso semelhante.
Combatamos a AIDS com discursos inflamados, mas comecemos por ensinar nossos filhos a respeitarem a alheia preferência sexual, a não perseguirem nem difamarem um semelhante.
Alertemos o tempo todo sobre a necessidade de usarem preservativos e controlarem os impulsos caso não disponham de “camisinha” naquele momento, falando claramente sobre sexo oral e anal. Nossos filhos precisam de orientação e para isso estão sob os nossos cuidados.
Se não tivermos coragem de mostrar a eles a realidade, o mundo os ensinará do jeito do mundo. O tempo passa rápido demais e as crianças andam precoces na descoberta da sexualidade. Quanto mais cedo abordarmos o tema, a menores riscos nossos filhos estarão expostos.
Hoje é o Dia Mundial de Luta contra a AIDS e tenho a impressão de que esse combate deve mesmo começar em duas frentes distintas: primeiro livrando-nos dos próprios preconceitos trazidos pela nossa anterior ignorância e, depois, atacando de frente o muro que impede o diálogo franco sobre sexualidade tão necessário entre pais e filhos.
Sábio, para mim, é o pai ou a mãe que coloca um preservativo na bolsa da filha adolescente, a fim de ser usado numa eventualidade. Sim, desejamos filhas virgens até determinada idade; todavia, mais importante do que permanecerem virgens é manterem-se vivas.
Pense nisso. Pode não ser muito, mas é um começo para acabarmos com a ignorância que permite a propagação crescente da AIDS.



Olá Mário!
Adorei seu post, acho que ficou perfeito. A minha idéia inicial era fazer um post assim, falando do preconceito e o mais importante, da orientação que devemos passar aos jovens, crianças e até os adultos que não dão muita importância, justamente por achar que uma doença assim só acomete os “outros”, contam com a sorte, sei lá… Mas já que convivo com o problema “real” há muito tempo, achei que o meu depoimento em forma de desabafo também serviria como exemplo.Quanto às propagandas, me refiro aquelas que dizem assim: A AIDS mata ou pode matar, coisas nesse sentido que são ditas para assustar com o intuito de que as pessoas se protejam, mas que é horrível para quem já tem a doença.E não são só as propagandas, já assisti vários programas de TV falando do assunto junto com meu irmão e te digo amigo, as pessoas responsáveis pela mídia esquecem dos que já estão contaminados. Falam em preconceito da boca pra fora, entende?
Muito obrigada por sua visita e comentário no meu Norte, viu? Seja sempre bem vindo.
Vou colocar teu link lá no Blog, assim fica mais fácil voltar!
Beijos
Meu querido,
O preconceito e a ignorância são os maiores de todos os males, vivo dizendo isso…
No caso da AIDS, os contaminados pelo vírus sofrem ainda mais com ambos do que com a própria doença, triste realidade não? Uma realidade que assusta, magoa e grande parte dos doentes são obrigados a conviver com ela…
Brilhante participação querido, texto perfeito, como sempre!
Tô amando as mudanças do Apoio, essa então foi 10! Volnei está podendo heim???Rs…ficou lindo amor, agora sim, mais do que nunca, ele está a sua cara…
Tb te amo viu?
Beijos, Kisi
Caro Mário,
Sinto ares renovados pôr aqui…
Muito boa a sua postagem sobre a Aids e o dia de hoje, um marco que precisa contar com sensibilidade das pessoas para que o sofrimento não seja superado pelo preconceito, que ainda é grande em nossa sociedade.
Também fiz um material a respeito.
Abs e sucesso sempre
Querido Mário,
Agradeço pelo comentário em meu blog, assim que o recebi vim correndo pra cá conhecer o seu.
E confesso que fiquei surpreso pela feliz coincidência de postar um texto sobre a fraternidade e logo em seguida conhecer um blog que tem a fraternidade como título.
Achei muito bom o seu texto, realmente tocamos em assuntos semelhantes, o preconceito que assola a humanidade e a falta de tolerância.
Aproveitei também para conferir o resto do blog e gostei muito da sua forma de escrever, passei a vista em alguns textos ótimos aqui, tanto que pretendo voltar mais vezes.
A partir de agora pode contar com um novo amigo e visitante frequente.
Abraços,
Nando.
[...] Síndrome da ignorância alheia [...]
Amigo Mário, realmente a discriminação e o descaso da sociedade são os piores efeitos colaterais que um portador do vírus HIV pode ter.
Achei muito feliz sua colocação que diz que: “Todavia, mais importante do que permanecerem virgens nossas filhas é manterem-se vivas.”
Ah! Concordo com a Cris, a mudança em seu Blog foi 10! Rsrsrs…
Obrigado pela publicação da minha foto.
Grande abraço,
Volnei Almeida
Querido Mario
A desinformação é a grande dificuldade a ser vencida nessa luta. E o pior é que existe quem pense ser exagero da mídia, como li recentemente. Por outro lado, ainda tem a questão religiosa, que prefiro nem comentar…
Beijinho.
Oi, Mário!
Assim que vi seu comentário no meu blog vim aqui conhecer o seu e qual não foi minha surpresa ao ver que já o conhecia! Já estive rapidamente por aqui antes e não havia feito nenhum comentário, mas com esse seu post de hoje não tem como não comentar. Muito valiosa sua participação nesta blogagem coletiva! Adorei a abordagem que vc fez do tema, falando sobre a ignorância e o preconceito. Infelizmente isso ocorre ainda não só em relação à AIDS, mas em muitos assuntos em nossa sociedade… Até quando as pessoas irão se comportar assim?… Chega de tanta hipocrisia!…
Obrigada pela visita no meu blog, volte sempre que quiser!
Abraços…
Adriana
Parabéns pelo texto! Muito bom!
Tá de casa nova, né? É bonito aqui…
Obrigada pela visita! Bom final de semana!
Tetê
Dia mundial de luta contra a aids
Sua participao muito importante na luta contra a aids. Obrigada por participar! Agradeo em nome dos Amigos da blogosgera!
Oi Mario
Fico perplexa em saber que as pessoas trasam com diferentes parceiros, sem camisinha.
Muito bom seu post.
Beijinhos
Mário, a hipocrisia do nosso governo, quer imbutir na igreja a culpa da aids se propagar. Sabemos que desde os primordios de tempos passados a igreja e o Estado brigam pelo controle da população.
No caso da igreja querer que os casais se mantenham fiéis pode parecer antiquado aos que não seguem os preceitos do cristianismo, por outro lado sabemos que, o que mais faz disseminar a doença é a multiplicação das desigualdades sociais.
Metade da população mundial que está desprovida de condições para utilizar suas capacidades intelectuais representa o melhor local para o desenvolvimento de doenças como a AIDS. A solução correta seria combater as formas desta desigualdade social criadas pelo sistema de desenvolvimento humano.
Bom fim de semana! Beijus
Oi Mário, tudo bem???
Obrigada pela tua visita ao meu cantinho do blog: Rosa da Terra. Adorei a mensagem! Quanto ao teu texto, ele é primoroso por fazer lembrar que a AIDS continua a fazer suas vítimas e hoje sem especificar em que grupo de risco se alastra. Não existe mais campanha para prevenção e cuidados, não se ouve mais falar nos perigos da contaminação. Quem falece por este motivo, sempre se anuncia outra causa indireta, como pneumonia, leucemia, etc. mascarando a realidade. Com os coquetéis, os portadores do vírus mortal, se mantém normal, com aparência saudável, ninguém desconfia ser este um soropositivo. O que isto ocasiona? falta de cuidado e aumento da disseminação. Hoje muitas pessoas transam sem camisinha.
Sou contra a discriminação ao doente, mas a favor da propaganda que alerte sempre, aos cuidados que todos devemos ter, além da tartefa dos pais em esclarecer desde muito cedo, a prevenção. Por isso o teu texto aqui publicado é ótimo e deveria estar publicado em todos os jornais e revistas.Tenha um maravilhoso final de semana!
Beijo!!
Sabe o que é mais bizarro? Mesmo com a massiva campanha contra essa desgraça muitas adolescentes engravidam. Eles não sabem ler?
Olá Mário,
Bonito o novo layout de seu blog.
O texto sobre AIDS está primoroso. Tomara que a informação substitua o preconceito, pois só assim as coisas vão mudar. Com informação, e seu texto contribui e muito para isso.
Um abraço
[...] J_Rosário, Antônio Ozaí, looking4good, Mary R. G. Esperandio, CronicaNet, Veridiana Serpa, Mário Leal, Mundo Linden, Carlos Júnior, Futuro Presente, Marcos, Luci Lacey, Tânia Defensora, Tia Dete, [...]
Não adianta não querer repetir: teu texto é 10, assim como tua casa nova! Parabéns.
Vou me ausentar por uns dias, mas não deixa de aparecer lá no Rosa147, tá?
Um abraço.
Foi hoje, 30 de maio, verificando estatísticas do meu site que descobri este post e pouco tenho a acrescentar a ele.
A mídia fez um tal estardalhaço com o “flagelo de Deus” que as pessoas olham para mim como se eu fosse um criminoso só porque porto um vírus. A mesma mídia não desfez o equívoco e permanece literalmente omissa, com raras e honrosas excesões, diante do monstro que ela mesma criou: A morte social. Porque é isso que decorre do preconceito. Desde que me descobri portador do vírus nunca mais pude me manter num emprego por mais de três meses. Há mil maneiras de se descobrir se uma pessoa porta HIV sem testar para HIV. Uma delas é descobrir, ilicitamente, o código do saque do FGTS do trabalhador. A outra é que determinados remédios provocam alterações no hemograma da pessoa e fica muito fácil saber que remédios a pessoa está tomando e, assim, demiti-la, num corte de funcionários (para evitar a pecha de discriminação empresas mandam dez funcionários para a rua com o fito de disfarçar a demissão preconceituosa e os operadores de direito simplesmente não enxergam isto).
Assim, além de socialmente mortos, nos tornamos deficientes sociais, pois se por um lado nos negam todas as possibilidades, pelo outro cobram todas as obrigações. Eu não posso pagar meu aluguel com um exame soropositivo. E se eu entrar n pão de açúcar encher o carrinho e passar no caixa dizendo, eu sou um doente de aids, preciso comer e não tenho dinheiro a segurança será chamada imediatamente. Não só para salvar o patrimonio da empersa, mas, sim, para livrar a grande clientela da presença do “lixo aidético” ali presente…
Dizendo tudo isso, eu não disse nada, pois eu nao terminaria de escrever se fosse contar o que passei nos ultimos treze anos. Eu tenho um blog, que anda mal das pernas, http://www.meublog.blog.br e convido-os a visitarem-no.
Mário, não me leve a mal, eu sou uma pessoa de natureza franca e peço que você troque aidético no seu texto, por doente de aids.
Uma palavra, às vezes, Mata.
Cau
[...] Para quem não leu ou deseja reler o post em questão: clique aqui. [...]