PRESTÍGIO E ILUSÃO
Dezembro 2, 2007 de Mário Leal
Aqui próximo ao escritório tem um supermercado, desses de bairro porém até que bem servido de mercadorias. Não tão grande quanto o desta foto, digamos que um terço deste cuja imagem achei no Google.
O mercado é realmente muito próximo do meu escritório, razão pela qual vou lá ao menos uma vez por dia. Para que pagar mais caro na padaria se tem um mercado em frente do trampo? Então sempre que preciso de algo, ainda que seja apenas uma coca-cola lata, lá vou eu ao mercado, isso sem falar nas compras do mês que nele faço.
Até aí o assunto não mereceria um post. Tenho o hábito de observar as pessoas e as suas atitudes diárias e isso sim merece um post. Não raro, descubro o nome de alguém e passo a cumprimentá-lo pelo nome e o camarada se surpreende por eu saber o nome dele e ele nem se lembrar de mim.
Voltando ao supermercado, tem lá um gerente chamado André com o qual uma vez conversei pedindo para criar uma fila única nos caixas para pequenas compras e ele respondeu, secamente, que não poderia me atender por qualquer razão da qual não mais me recordo. Bom, mas como descobri o nome do indivíduo e não saio do mercado, sempre que o vejo, cumprimento “Bom Dia, seu André”; “Boa Tarde, seu André”, “Boa Noite, seu André” e ele nunca responde. Provavelmente me ignora deliberadamente porque raramente uso terno e gravata, limitando-me a usá-los apenas em audiências sendo que no dia-a-dia uso camiseta, jeans e tênis que, confesso, não são de marca e andam meio surrados.
Hoje de manhã passei no mercado para comprar pão e frios à guisa de café-da-manhã. Peguei o pão e estacionei na fila dos frios. Na frente do balcão estava o seu André e um meu conhecido que é investigador de polícia e, aparentemente, o gerente dava uma daquelas “puxadas-de-saco” padrão, mandando providenciar alguns frios em cortesia para o D.P. local. De repente aquele meu conhecido me enxerga, ignora o gerente, vai ao meu encontro e me abraça, indagando como tenho passado e porque faz tanto tempo que não apareço no distrito para visitar os amigos que sempre perguntam por mim.
Pêgo de surpresa, o gerente sorri sem jeito para mim e gesticula um cumprimento meio desconcertado. Despeço-me do meu amigo e vou buscar outras coisas das quais necessitava. Na saída, logo ao atravessar o caixa, deparo-me com um gerente sorridente que me manda esta: “Tenha um bom dia, Dr. Mário”.
Respondi cordato e vim para cá, pensando no tamanho da ilusão que vivemos ao acreditar que um ser humano vale pelo título ou cargo que possua e nas tantas oportunidades que perdemos de fazer amigos porque damos maior valor a títulos do que aos seres humanos que deles estão investidos.
O BLOGGER ANDA DE SACANAGEM
É isso mesmo. A caixa de comentários do blogger foi modificada, substituindo o campo OUTRO por APELIDO. Ocorre que, quando era acionada a opção OUTRO, qualquer um poderia indicar o link do seu blogue não hospedado no Blogspot. Agora não há como fazê-lo. Não estranhe se, nos meus comentários eu me identificar como usuário do blogspot e remeter o editor para o site do blogspot. Foi o jeito que encontrei de mostrar aos amigos o endereço correto do APOIO FRATERNO no WordPress.
BLOGAGEM COLETIVA
Dia 10 de dezembro é a data da blogagem coletiva pelos DIREITOS HUMANOS. Não deixe de participar. Informe-se aqui.




Cara, este teu exemplo mostra bem a mediocridade humana. Sei de um caso bizarro, do ideário do mercado financeiro, que é bem parecido.
Ah, por isso troquei meu comentador pelo haloscan.
A tão famosa ilusão que tanto repudiamos…
É triste ver um semelhante julgando o outro por um título, ou pela falta dele, dias medíocres os que vivemos, e como já diz aquela antiga canção: ” Assim caminha a humanidade”…
Como sempre querido, texto brilhante e muito bem colocado…
Te amo!
Beijos, Cris
Mário, no fundo as pessoas gostam de usar: “Voce sabe com quem está falando?”
E dão muita importância para o título doutor. Até veterinário é doutor. Quem nunca defendeu cátedra não deveria ostentar o título. Coisa de país colonizado, dão mais importância ao título que ao saber. E as pessoas no dia a dia vão junto.
Boa semana,
Forte abraço
Eu estou para fazer um texto semelhante ao seu. Ainda não consegui formatar na minha cabeça mas depois que li o seu vamos ver se consigo.Eu acho que vc não atinou para o detalhe de vc ser advogado.Quando eles decobrem é um Deus nos acuda.
Qt ao coments, se vc me visitasse ( sumido) veria que fiz um texto com o meu protesto e dei a solução.
Isso existe e muito, Mário, infelizmente!
Meu marido era professor na universidade e teve um cargo importante. Uma vez consultava com uma doutora que me tratava de uma maneira muito antepática, mal me olhava nos olhos. Tive que fazer uma cirurgia com ela. Quando ela encontrou com meu marido no hospital, mudou completamente e passou a me tratar com cordialidade, até sorria pra mim. Ela tinha sido tb aluna dele.
Pode? Nunca mais fui ao consultório dela, quero que me tratem pelo que eu sou e não por ser esposa do fulano. Como sou tratada aqui. Ninguém sabe quem ele é, né? E nem eu vou dizer, hehehe.
Bj pra ti e pra Cris.
Como se títulos e condecorações fossem alguma coisa… Na certa, devido à esse comportamento, esse gerente se acha o máximo só porque está em tal cargo, concorda comigo?
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!
Como pé um pobre coitado o pobre gerentinho de supermercado que se acha o rei da cocada preta por ser gerente, né?
Eu, como trabalho em banco, vejo um montes de “andrés” por ai rsrs
E eu tbm notei essa coisa do blogger e do blogspot… sacanagem mesmo…
beijos
hmmm… por aqui também vários “Andrés” todos os dias me cercam…
Arrogantezinhos, desprezíveis, irritantes e dispensáveis…
Mas é assim - vivendo e aprendendo
Também uso o método de chamar as pessoas pelo nome. Denota a importância que todos devem ter uns para com os outros.
Mário, esse seu post, realmente mostra como tudo depende do cargo que temos, ou do estatus da empresa em que trabalhamos!
Parabéns pelo postagem!
Até mais, amigo.
Mario, acredito que este comportamento é fruto de nossa formação patriarcalista. Ainda não conseguimos nos desfazer de certos hábitos antigos, desnecessários e prejudiciais.
Eu creio que julgar plea aparência, pelo cargo, pelo título também reflete uma certa insegurança das pessoas. Infelizmente, isso afasta uns dos outros, quando devemos cada vez mais, procurar a união.
beijos, boa semana para você.
É a mediocridade de algumas pessoas, que acreditam ser a embalagem mais importante que o conteudo… abraço e ótima semana pra ti!
Mário…é incrível a mediocridade das pessoas…esse aí não tem conserto!
Quanto ao blogger…acho uma estupidez o que estão fazendo e tenho o mesmo problema que você.
Abraços!!!
Mário, é lamentável, mas é exatamente assim. Os títulos possuem mais força do que o que somos e como tratamos as pessoas. Um pena.
Você foi perfeito na observação, perdemos oportunidade de fazer amigo.
Um beijo e uma ótima semana!!!!
Mario, infelizmente isso é muito comum no Brasil.
Muito triste isso.
Bjs
Meire
[...] é uma dádiva - efeito Cobalto O dia em que não conheci Bia Kunze - Futilidade Pública Prestígio e Ilusão - Apoio Fraterno Infernito particular - Nossa Via Fim de ano é o que há - de salto [...]
Na verdade é deprimente esta constatação. Uma pessoa reeceber tratamento diferenciado porquer está bem vestido, porque está dirigindo um carro caro, porque ostenta um título…
Felizmente ainda existem exceções. Pessoas que nos vêem e nos tratam como simples seres humanos, não importando se somos pobres ou ricos, doutores ou garís.
Um abraço.
Verdade, Mario, as pessoas te julgam primeiro pela tua aparência, depois pelo teu título. E “doutor” rima com “riqueza”, se você chega em algum lugar cheio de jóias e com um carrão, alguns vão te chamar de doutor mesmo se você é analfabeto.
Abração.
Muito interessante esta história. Dava vontade de chegar para este gerente e dizer “Ué? Tá me cumprimentando? Mas eu sou aquele que te dá bom dia todo dia e você não responde! O que aconteceu hoje?”