VELHOS FILMES
Fevereiro 8, 2008 de Mário Leal
Numa época de tantas liberdades, onde o ato sexual pode acontecer dentro do salão de baile lotado de expectadores a esbarrarem uns nos outros e quando mulheres exportam a sua nudez, via passarela do samba, de repente me pego a pensar em velhos filmes.
Antigas películas baseadas em sonhos de realização amorosa. Um verão em que o jovem apaixona-se pela mulher adulta que acaba por iniciá-lo na arte do amor. Ou uma diretora de gigante magazine que contrata um novo velhinho para interpretar Papai Noel no desfile de Natal, fato comum se o admitido não acreditasse ser o verdadeiro Papai Noel e não acabasse por unir a executiva a um advogado, como atendimento de um pedido natalino feito pela filha da protagonista. Ou mesmo a saga de uma mulher que ama a um cínico porém encantador cavalheiro, casal este que se vê marcado pela trágica perda da filha num acidente. Aproximações, rupturas, reconciliações e tragédias pessoais compõem o enredo dos antigos filmes. Podem ter como cenário a noite na rua alagada pela chuva, sob a qual alguém resolve dançar e cantar; ou a calçada que cerca a frente de um conjunto de apartamentos na avenida “novaiorquina”, na qual uma jovem aceita o amor graças a um felino perdido. E tantas outras das quais aqui me recordo, talvez por considerar a programação carnavalesca chata ao extremo e esta seja mais uma daquelas fugas que sempre fazemos.
Fuga da realidade ou saudade de tempos menos ousados, verdade é que esses filmes continham um ingrediente mágico que escola de samba alguma foi capaz de trazer para a avenida: o amor na sua mais singela e inocente expressão.
Na maioria desses filmes o ato sexual era presumido. Contudo, o amor temperava o enredo do começo ao fim das películas. Nelas, as atrizes não sambavam com os seios de fora ou apenas cobertas por tinta e tapa-sexo. Além disso, as músicas eram românticas e desprovidas de “bateria nota dez”. Apesar dessas ausências, ao final restava uma emoção mista de esperança e felicidade projetada.
Naquele tempo não existiam liberdades sexuais. O amor era velado e qualquer exposição mais ousada mexia com os pudores alheios. Em que pese os excessos moralistas, havia sim uma mágica no ar. Algo etéreo e que causava espécie em todos nós: o corpo feminino ainda era misterioso, os sentidos desenvolviam-se mais lentamente, amadurecia-se aos poucos, o galanteio fazia parte do flerte e, para amar, precisávamos bem mais do que de um canto mal iluminado dentro de um salão de baile.
Hoje é rara a criança que ainda não viu uma mulher ou homem desnudo. Se ainda não souber como se pratica sexo rápido e sem compromisso, não demorará muito para aprender com uma das atuais novelas ou a visita a um site na internet. Nossas crianças são impulsionadas ao erotismo precoce, convidadas a conhecerem questões que exigiriam maior maturidade, como é o caso do homossexualismo, da violência, da prostituição e do uso de entorpecentes.
Os filmes atualmente produzidos não têm o mesmo sabor dos velhos filmes. Nas antigas películas, personagens não andavam pelados pela casa e os banhos sempre ocorriam a portas cerradas. Via de regra, a cena fechava na troca de um olhar seguido do apagar da luz do quarto do casal. Isto porque o romantismo era explícito e não o sexo. E, apesar disso, éramos estranhamente tocados por uma sensação que os jovens contemporâneos desconhecem completamente.
É fato que dentro de alguns anos as novíssimas gerações substituirão o meu velho modo de pensar. E talvez as lembranças dos filmes sejam menos agradáveis. E, quem sabe, a futura vida doméstica não passe de uma “rapidinha” sem direito a sonhar.



Como é bom lembrar de tudo isso e quem pode vivenciar então, melhor ainda. Mas…rsrsrs
sempre tem um “mas”!
No passado, se o namorado beijasse a namorada na frente de casa, a menina ficava mal falada no bairro todo. Era assim aqui em Porto Alegre nas décadas de 70 e 80. Por um beijo a menina era chamada de “galinha” e ficava marginalizada. As amigas se afastavam, porque ninguém queria ser vista andando com a “fulana galinha” para também não ser rotulada.
Acho que depois desse exagero que estamos vivendo atualmente, dessa over dose de sexo, a tendência é retroceder um pouco, não chegando a ser como era no passado, mas um pouco mais “equilibrado”. Assim espero.
Como é bom lembrar de tudo isso e quem pode vivenciar então, melhor ainda. Mas…rsrsrs
sempre tem um “mas”!
No passado, se o namorado beijasse a namorada na frente de casa, a menina ficava mal falada no bairro todo. Era assim aqui em Porto Alegre nas décadas de 70 e 80. Por um beijo a menina era chamada de “galinha” e ficava marginalizada. As amigas se afastavam, porque ninguém queria ser vista andando com a “fulana galinha” para também não ser rotulada.
Acho que depois desse exagero que estamos vivendo atualmente, dessa over dose de sexo, a tendência é retroceder um pouco, não chegando a ser como era no passado, mas um pouco mais “equilibrado”. Assim espero.
“não sei se foi enviado ou não. Na dúvida envio novamente”
Sinceramente… era bem melhor daquele jeito, hein? Não me considero careta, e nem curto mto os filmes antigos… mas a idéia, o estilo de vida do passado, dos tempos de meus pais e avós, sinceramente… são de me dar inveja!!!
Já participei de um carnaval tipo anos 70. Mto bom! Um bailinho inocente, sem essa libertinagem nojenta de hj em dia…
Abraços o/
Infelizmente hj os valores são outros. Ninguém mais preza relacionamentos como antigamente, hj o homem nem tem mais o prazer de caçar pois virou a presa fácil de mulheres q parecem q estão no cio diariamente.
Big Beijos
Acho que os velhos filmes são os que combinam mais comigo… Ainda bem que ainda existem romênticos neste mundo.
Passe lá no meu blog e deixe seu comentário!!!
De acordo, Mário.Aliás, ainda na semana passada, eu comentava isso com meu filho caçula: o que faz mais falta a este mundo, talvez seja um pouco de romantismo.
Grande abraço.
verdade amigo..mas nadando contra corrente, estou criando meu filho para ser este tipo de homem raro hj em dia…e acima de tudo, sem pular etapas! vou seguindo nesse defasio..rs
BJO!
Alguma coisa do cinema moderno é interessante, principalmente os efeitos visuais computadorizados, desde que bem dosados!
Mas realmente dá muito prazer assistir aos hoje considerados clássicos. Ou mesmo aquelas bombas tipo B que faziam nossa diversão!
Na verdade, acho que sempre vamos sentir falta do que vimos na infância e adolescência. Lembro que meu pai só falava dos filmes da década de 20 e 30, alguns ainda mudos!!!!
Um grande abraço e bom domingo.
O problema hoje em dia é que tudo é tão explícito, que os jovens não conhecem mais o charme do mistério, a alegria das descobertas. É tudo imediato e sem emoção, e com isto se perde muito da graça da vida.
Um abraço e bom fim de semana.
sei não meu amigo, apesar dos filmes serem ingênuos a vida por trás das câmeras era de uma devassidão digna de sodoma e gomorra. que o diga Rock Hudson
Concordo totalmente que é prejudicial a erotização precoce. Que, aliás, alimenta a pedofilia.
Já a liberação dos costumes foi uma benção. Como disse a Silvana, lá em cima, por um beijo você ficava falada. E, ainda que definitivamente convencida dos malefícios da erotização precoce, sou uma incentivadora de “várias e variadas” experiências. Tudo o que adultos fazem, dentro de seu juízo e com outros adultos também, é bom se julgarem bom e tiverem consentimento.
Outra história é o cinema. E ainda outra o romantismo. Eu adoro vinho, velas, flores, delicadezas, lembranças…. E faço tudo isso eu mesma, na suposição de que, se eu gosto, outros também devem gostar.
Pessoalmente, acho sexo sugerido, nas artes em geral, sempre mais sensual, porque você automaticamente completa a cena ao seu gosto.
Cinema, ai, cinema… vi tudo que você lembrou, citaria mais um montão que você também lembraria e gosto de arte. Arte. Se é bem feito, se tem bons diretor e atores, se a história é boa, pode ser velho ou novo - vou gostar sempre.
Viu as “Bicicletas de Belleville”? Desenho animado. E lindo. Para qualquer idade.
Pois é, amigo Mario. Aqueles eram outros tempos, sem dúvida. Da mesma forma que você vê nos antigos filmes um outro comportamento, eu já tinha percebido isso nos desenhos animados de hoje, em comparação com os do meu tempo de moleque. Compare “Os Flintstones” com “Os Simpsons”. Compare “Os Jetsons” com “South Park”. A sociedade cresceu e se deteriorou. Concordo com tudo o que você escreveu. Sem tirar uma vírgula. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.
Querido Mario
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
Embora mais nova que esses filmes de amor… eu ainda sou da época que o Gugu Liberato dançava “Passarinho quer dançar”…. e não “Na boquinha da garrafa”…
Gistei muito desse post, ando meio cansada dessas cenas de sexo banal que existem nos filmes, desfiles de carnaval, novelas e por aí vai…
[]s
Mário
Tu tens toda razão, os filmes de antigamente eram mais românticos.Às vezes a gente não tem escolha, os filmes programados são todos violentos.Passamos de um canal para outro e só vê sangue, morte ou sexo explícito. E se por trás das câmeras era uma devassidão, como disse o Rayol e isso sempre existiu, não mostravam nos filmes.
E o carnaval como era bom!!!! Mas isso é outra história…
Bjim.
Amigo Mário, primeiro quero agradecer a generosidade das suas mensagens na minha ausência, estou retornando e venho ler-te e me deparo com uma época, que infelizmente não vivi, mas sei que havia uma beleza rara, que não encontramos nos dias atuais.
Belíssimo post!
beijos,
Meu amor,
Esse seu post está lindo.
Uma bela e verdadeira reflexão do passado,que às vezes parece tão mais distante do que está. Me lembro de alguns desses filmes e sinto uma nostalgia, em especial por constatar que acabou-se o romantismo não só falando de amor, mas daquele que a paz nos traz, o prazer de assistir um bom filme, aquele de ver o mundo com outros olhos…
Por outro lado, é algo que podemos sempre reviver e resgatar, depende de nós…
Te amo!
Mário, sou suspeito para falar, porque vivi na prática a época que foi tema de sua crônica, bem como assisti a lançamentos de grandes filmes românticos daquele tempo.
Excelente a sua crônica. Meus parabéns.
Um abraço do
Adelino
E como cansa esta superexposição. Nós, na verdade, nos tornamos espectadores de um grande filme pornô que não tem fim e nos chega de todos os lados, nos Big Brother da vida, nas novelas, e, pior, não só na vida eletrônica: um amigo, esta semana, correndo na Redenção, nosso parque mais conhecido, flagrou, em plena tarde, um casal transando sem a menor cerimônia num banco de praça. Em volta, crianças de todas as idades.