
Por e-mail, fui desafiado a publicar um artigo sobre a possibilidade de cura de uma enfermidade através da auto-sugestão.
“Seria possível alguém se curar de uma doença pela simples vontade de obter a cura?”, eis aí a pergunta recebida do amigo de faculdade e que vem acompanhando este bloguinho desde o primeiro post.
Sem o objetivo de fechar a qüestão, vou explicar o que penso a respeito do tema proposto.
Em Fevereiro de 2006 decidi parar de fumar. Achava que 30 cigarros/dia era algo anormal. Aproveitei o feriado de Carnaval e decidi que não mais fumaria. E parei de fumar, isso sem qualquer esforço após os primeiros dois dias que foram mais complicados. No entanto, em Fevereiro/2007, completado um ano sem fumar, cansei de não fumar e retornei ao velho vício. Claro que em pouco mais de um mês passei de 30 para quase 60 cigarros/dia. E assim foi indo até que, conversando com a Cris, ciente de que ela não fumava, decidi novamente parar de fumar, ou seja, passar de quase 60 para nenhum cigarro/dia. E simplesmente parei de fumar, no início repetindo o tempo todo para mim mesmo: “você não precisa do cigarro para viver e não fumará mais”. A exata mesma técnica que usei da primeira vez em que desisti de fumar. Desta última vez, praticamente nem tive aquela conhecida crise da abstinência tamanha a convicção com a qual decidi parar de fumar. Vai daí que, pouco tempo depois, quando o novel casal blogosférico se avistava pela primeira vez, eu já retornará ao status quo de “ex-fumante”.
Conheço pessoas que, sozinhas, conseguiram abandonar o vício em entorpecentes. E um número muito maior de pessoas que, apoiadas na fé religiosa dentro de uma confraria, saíram do mundo do crime, abandonaram vícios e tornaram-se trabalhadores e hoje são pessoas dignas.
Não serei pueril. Óbvio que deixar de lado um hábito nocivo à saúde é muito diferente de curar, digamos, um tumor maligno.
É impossível responder em definitivo à pergunta-título deste post. Mas podemos fazer algumas ilações. A fé religiosa não é, a grosso modo, uma auto-sugestão? Pela fé, não estaríamos acreditando naquilo que não é material e cientificamente comprovado? Se pessoas de uma confraria religiosa conseguem superar as próprias dificuldades e seus vícios a fim de se tornarem seres humanos melhores, por que não poderiam alcançar uma cura ou, pelo menos, uma melhora notável?
Observo que existem pessoas com 40 anos que parecem velhas e acabadas e outras com 90 anos, que assemelham-se a jovens tamanha a vitalidade que possuem. Existem doentes derrotados e doentes dispostos. Há os que esperam a morte para libertá-los da dor e os que teimam em levar uma vida quase normal apesar da enfermidade.
Acho, também, que estamos cercados por energia e a nossa mente determina qual energia permanecerá conosco dentre as tantas que nos envolvem. Note-se que se estivermos irritados, absolutamente nada é capaz de nos acalmar exceto a nossa própria vontade (perceba que o calmante relaxa o corpo e não a mente, podemos despertar com a mesma irritação anterior ou voltar a ela em curto espaço de tempo). Entretanto, se estivermos felizes, mesmo um sério contratempo é superado com bom humor.
Pensando nessas circunstâncias comuns da vida, creio ser possível, se não a cura, ao menos uma melhora substancial através do pensamento positivo e a partir da auto-sugestão. Lembrando que, em estado hipnótico, pacientes são capazes de enfrentar situações que não conseguiriam em estado de vigília. Por isso mesmo eu acredito que podemos sim melhorar através da auto-sugestão. Não sei se somos capazes de eliminar uma enfermidade do nosso corpo, mas com certeza poderemos minimizar os seus efeitos nocivos.
É o que penso e fica aberto o espaço para os que quiserem colaborar com o tema.